quarta-feira, 20 de junho de 2007

Os Dois - Final, sem acabar.


Ele sonhou que estavam juntos, abraçados, sorrindo, lembrando da tal goiabeira onde o primeiro toque de lábios muito úmidos e rostos suados haviam se encontrado, após uma bela escapada da escola. E onde haviam combinado muitas peripécias. Local também que servia de esconderijo quando provocavam os pais ou a vizinhança. Entretanto, no sonho, ela o beijou e disse adeus, pois precisava voltar para sua casa e para o seu novo amor.

Ela resolveu aguardar, poderia ir até lá no dia seguinte, afinal de contas, já estava anoitecendo, e talvez não seria muito seguro ir até um lado mais afastado daquela cidade. Pensou em se deitar mas como não sentia sono, resolveu ler um livro. Contudo achou na estante uma caixinha lilás, decorada com recortes de revistas, que sabia muito bem o guardava. Há quanto tempo não revia tudo aquilo.

Ele despertou. Viu o cair da noite e simplesmente quis viver, já que estava ali. Era o momento de ver como as coisas tinham ficado. Mas não sem antes passar na casa dela outra vez. Já não importava como ou com quem ela estaria, queria apenas rever.

Ela abriu a caixinha que guardava o passado. Fotos da casinha de madeira antiga, fotos das famílias, tão amigas, reunidas. Fotos dos dois, sempre sorridentes, sempre aprontando alguma coisa, desde pequeninos. Haviam também cartas que os dois costumavam trocar, quantas palavras intensas, sinceras e passadas. Quanta inocência, quanto amor: acreditavam que eram capazes de passar por tudo, sempre juntos.

Ele voltou, uma longa caminha, sabia que chegaria na casa dela bem tarde, mas não desistiu, precisava andar, precisava ir. Foi sorrindo, cantando cantigas antigas, lembrando, sentindo, imaginando como seria o reencontro, se é que realmente aconteceria.

Ela então pegou um pequeno embrulho, que nunca tinha aberto, foi o ultimo presente, do ultimo contato dos dois. Nem uma carta, num um beijo, nem um abraço antes de partir, só brigas e um embrulho, que ela se recusara a abrir. Viu que era a hora e abriu.

Ele passou por uma floricultura, mas não era aquilo que ele queria dar a ela, não nesse momento, queria presenteá-la com palavras, que já devia ter dito, e com sua presença, que se ausentou por um tempo longo demais. Estava chegando e uma crescente emoção se espalhou por seu peito. Será que ela tinha visto o seu ultimo presente? E será que tinha entendido?

Ela ficou o que pareceu horas olhando o conteúdo do pequeno embrulho. Seus olhos encheram de lágrima. Então era aquilo? Então ele na verdade não partiu porque não a queria mais, ou porque queria esquece-la... Talvez ele a amasse... E foi o que ela mais desejou, por mais que aquilo tinha sido a tanto tempo, foi o que ela desejou.

Ele desejou que ela tivesse compreendido que o presente não era covardia, mas que era um desabafar de palavras, em uma atitude, que na época ele não conseguira proferir. Quis gritar ao mundo o que sentia, mas só conseguia sorrir, sabia que tinha que dizer tudo o que estava sentindo, como uma explosão no peito, somente pra ela.

Ela lamentou o fato de ter demorado tanto para abrir, talvez pudesse ter o alcançado no dia em que partiu, e talvez tempo algum os tivesse separado. Mas talvez... Quem sabe, o tempo tivesse sido necessário? Entretanto, como poderia revê-lo? Resolveu se arrumar para ele, onde quer que ele estivesse, queria estar bela como nunca, ele merecia essa pequena dedicação.

Ele então, finalmente após tantos anos, chegou. E ficou ali parado. Resolveu que não ia tocar, por que um interfone estaria entre os dois? Resolveu cantar uma canção, que completava os dois, que era dos dois. E cantou-a ali, no meio da rua deserta, como se só existissem os dois.

Ela estava linda e radiante, quando, não sabia como, talvez uma travessura de sua mente, ela começou a ouvir aquela canção de tanto tempo atrás, que era a canção dos dois... Como poderia? Sorriu, estranhou e sentiu um pavor aconchegante no peito... Seria possível? Não... não poderia! Ela estava realmente ouvindo isso? E ainda mais... aquela voz, talvez mais grossa, mais encorpada... Mas era a mesma voz... Ela conhecia essa voz.

Ele continuou cantando com um certo nervosismo no peito, ela estaria ouvindo? Ela gostaria de ouvir? Mas ele não parou, cantou olhando para a única sacada do segundo andar, tinha que ser a dela.

Ela quis chorar, mas de inebriante felicidade, não sabia como, mas sabia que era ele... E correu para a varanda. E então... O viu. Lindo, forte, agora um homem. Era como num sonho, era uma visão... Era grande demais para caber num peito só. A lágrima rolou. Uma paz, um abrigo e a crescente felicidade a acolheram. Ela queria ficar ali o observando para sempre, se fosse sonho não tinha como acabar.

Ele sorriu, tomado por uma alegria que ele tinha certeza que iria explodir seu peito e irradiar a cidade. Ela estava muito mais bela, enfim deixara os lindos cabelos castanhos crescer do jeito que ele sabia que combinaria com ela. Estava tão formosa, porque estava enfim uma mulher. A emoção era tamanha que não conseguiu mais cantar. Só olhava sua amada, ali parada diante dele. Trocaram olhares que disseram tudo o que sentiam. Olhares que se compreenderam, olhares que se pediam perdão, olhares que se amavam. E se viram como nunca tinham se olhado antes.

Ela quis descer, ele quis subir, e os dois deram gostosas e ansiosas gargalhadas. Ela pediu que o esperasse lá embaixo. Ao correr viu de relance no espelho o presente de seu amado e parou... Será que deveria descer usando-o? Ou será que ele iria achar que era muita pretensão? Resolveu o levar então no bolso do casaco.

Ele não conseguiu segurar a saudade e assim que se viram tão pertinho, a envolveu em seus braços, num abraço que parecia não ter fim, que parecia os afogar num momento de puro êxtase, carinho e falta. Quando se soltaram trocaram os mais fogosos e saudosos olhares. E deram as mãos.

Ela tentou lhe falar, mas ele já havia começado. Palavras que somente os dois podem saber, e que somente os dois podem sentir. Mas a certeza é que foram palavras de longos anos de espera, de saudade, de crescimento, de amor, de carinho, de paz. Uma enorme paz, porque estavam ali, se falando, e agora trocando as palavras que tanto aguardaram, os dois, trocar.

Ele e ela, os dois, se acharam, se tiveram. E ansiosos perguntaram como que iria ser, se poderiam estar juntos, e descobriram que sim, já que sempre se pertenceram. Agora estariam pra sempre juntos, apesar de qualquer coisa, saberiam superar, saberiam se ter. Sabiam das dificuldades, mas nada era maior que o amor que sentiam um pelo outro, amor que agora tinha amadurecido, criado uma forma real, e estava acompanhado de calma, confiança, entendimento, amizade. Não havia mais vaidade, nem soberba, nem orgulho. Um amor completo, verdadeiro, que jamais iria acabar, pois amor assim não tem fim.

Ele quis ter aquele embrulho que tinha dado a ela ali em suas mãos, e viu que ela pegava algo no bolso. Não pôde acreditar quando viu o que era. Lembrou-se que sua avó que tinha dado, para que ele o desse especialmente para o grande amor de sua vida, era lindo como ela merecia. Sorriu, pegou da mão dela e a beijou.

Ela percebeu, e não entendia como, ainda não tinham se beijado. Aqueles lábios que não eram como o de nenhum outro, porque ali havia amor, puro e verdadeiro. O primeiro, e o ultimo. Para ela: o único. Saberia que dali viveria um grande e esperado romance, com ele.

Ele colocou então, o lindo anel de noivado, no dedo dela, pois, era isso que os dois realmente queriam. E ficaram ali, se admirando, sonhando com o que viria, e contentes por estarem ali juntos... Tinha se passado tanto tempo.

Ela o abraçou. E eles subiram, para um outro nível, agora eram mais que um casal, porque além de dois, agora eles eram um. Um só coração, um só amor. Será que eles se casaram? Será que tiveram filhos? Será que viveram para sempre em paz? Sabe-se que a vida nos prega peças, e que às vezes fazemos escolhas erradas, mas eles agora não iriam desistir desse amor por nada. E o mesmo nada iria interferir de modo que pudesse dar um novo fim a esse amor. E o futuro? Que cada um faça o seu, já que eles tiveram o deles. Mas que aconteça. Que seja. Que venha. É preciso força, coragem, confiança, sonho, fé. E assim eles tiveram o final feliz deles, um final que ainda não acabou, mas que eles buscam com toda certeza o tal do se completar e se ter para sempre. E agora eu digo: fim, mesmo sem acabar.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Os Dois - Parte 2


Ele no caminho sentiu um leão em seu abdômen, mas de um jeito louco e engraçado deveriam haver milhares de borboletas ali também, rodeando o tal leão. Era um mistura de sensações, claro que todas muitos boas, e bem, a hora estava chegando.

Ela sentiu que a hora já havia chegado, e entrou. Viu todos os olhos presentes a observando, mas sentiu falta apenas de um olhar em especial. Tirou isso da cabeça na mesma hora, e começou a andar, lentamente, para o altar.

Ele se viu diante do lugar, onde soubera através de um antigo amigo, que agora ela estava morando. Um prédio que era a cara dela: aconchegante, arrojado e bonito. Ele tocou no número 21.

Ela ainda estava caminhando, mais lentamente do que esperava, e naqueles minutos, que pareceram horas, permitiu passar a vida em sua mente. Momentos agradáveis, lindos, intensos. E sempre com um alguém ao seu lado. Pelo menos um sempre que era a partir do momento em que os dois haviam se conhecido.

Ele aguardou ansioso, lembrando de um dia especial onde ela dissera que o amava, ele já tinha dito a ela há algum tempo, e então ela confirmou para ele que era amor eterno, que mesmo que desbotasse ou passasse seria para sempre, porque era verdadeiro.

Ela pensou: “Por que você não me procurou mais? Por que você sumiu?”. E se lembrou do ultimo momento juntos, da briga, das declarações, da raiva indevida e da falta de maturidade de ambos.

Ele estranhou a demora. E sentiu o coração apertar. Será que não estava mais ali? Seria esse um sinal, ou um aviso de que ele demorara demais? Uma tristeza o ocorreu, como poderia ter ido mais cedo se a compreensão, o amadurecimento e o tempo tinham sido necessários para tudo se encaixar e ficar real.

Ela chegou ao final do caminho. E o outro lhe sorriu. Ela retribuiu o sorriso, mas de forma enojada pensou que o sorriso não era o mesmo que ela costumava sorrir para aquele que sumiu. Não era tão verdadeiro, e inclusive, não era tão feliz. Mas... e agora?

Ele não queria desistir, não podia. Ele tocou novamente, e esperou, como se aquele momento fosse uma eternidade. Não entendia a demora, mas tinha esperança.

Ela ouviu palavras até chegar o ponto onde quem deveria falar era ela. Sentia-se grandemente desencontrada, porque esses sentimentos passados? Logo agora... será que... não seriam tão passados assim?

Ele então percebeu que talvez, de uma maneira incrível, aquele não era o momento, e talvez... nunca tivesse sido. E se ela já estivesse com outro, com outra vida totalmente diferente? Sentiu medo... e recuou.

Ela respondeu. Não o que sempre sonhara, da forma que sempre desejara, àquela pessoa que dominava seu coração. Foi uma palavra curta, emocionada, triste. Seu par não compreendeu, muito menos as testemunhas presentes.

Ele saiu andando pela tal cidade que ele abandonara. O tempo estava tão agradável, um sol bonito e aconchegante brilhava no céu dessa cidade. Seria tão bom poder passear com ela e simplesmente conversar, ouvir sua voz.

Ela largou o buquê e saiu, não mais devagar como tinha sido, mas rapidamente, passos largos que se tornaram uma corrida desenfreada e sem rumo. Queria ir aonde quer que seus passos a levassem. Queria poder parar de viajar em pensamentos e simplesmente descansar, ou quem sabe acordar... Teria isso sido um sonho?

Ele resolveu que talvez fosse tempo de voltar, afinal de contas, desde o fatídico dia em que se separam, ele saiu numa busca por si mesmo através do mundo, entres tantos lugares que acrescentaram valores, confiança e um auto-conhecimento incompleto, já que faltava o convívio e a presença de seu grande amor.

Ela chegou à praia. Um lugar querido, que lhe trazia calma, paz, encontro. E resolveu ficar ali. Sentou-se à beira e quis se ver, se sentir. Nada mais era claro ou seguro. E as lágrimas a estavam seguindo fielmente havia um bom tempo. Só desejava ficar ali, consigo mesma.

Ele encontrou um banco numa praça, onde pode rever sua vida nesses últimos longos anos. Tentara, era verdade, ter outros amores, em outros braços, achar outros sorrisos, se encontrar em outros passos... Mas não conseguiu. Ela tinha sido o maior, seja o que quer que todo aquele turbilhão de sentimentos e emoções tivessem sido, ela tinha sido o maior.

Ela viu que o tempo estava passando, mas que não podia ficar ali pra sempre, até porque isso era fugir, e ela não queria, agora estava voltado a si, em momento algum magoar o outro, ela só queria se encontrar e poder ser feliz. Entretanto não queria que isso fosse a infelicidade do outro.

Ele pensou em talvez regressar... E finalmente voltar a ter um lar. Mesmo que fosse sem ela, talvez o fato de voltar o confortasse de alguma forma. Mas pensou que não seria justo impor a presença dele na cidade que agora, talvez, fosse dela, tipo um território – “Eu parti há tanto tempo atrás...”

Ela viu o outro. Ali. Parado a observando. E pensou quanto tempo realmente passara e a quanto tempo ele realmente estava ali. E o outro caminhou em direção a ela, que sentiu um grande aperto dentro do peito. O outro se agachou ao lado dela.

Ele pensou em rever. Estava ali para enfrentar seu coração, e estar com ela, mas já que não tinha sido possível pensou em rever os seus que tinham ficado ali naquela cidade. Mas se deu conta de que bem... Não estava preparado para rever os outros, somente ela, aquela que tanto desejara.

Ela olhou para o outro, que ao invés que raiva trazia ternura no olhar. E lhe sorriu um sorriso calmo, compreensivo, amigo. Ela não pode se conter e viu novamente as lágrimas em seu rosto. O outro tentou enxugar mas ela já estava em seus braços, numa atitude que buscava consolo e ao mesmo tempo pedia perdão.

Ele sorriu, havia tempo que não se achava em duvida, que não sentia que não sabia o que realmente fazer. Resolveu então que estava com fome, e que se lembrava de uma certa goiabeira, onde os dois costumavam subir e passar horas. Foi até lá.

Ela conversou com o outro. E viu que por mais difícil que fosse o outro a perdoou, e que não iria guardar ressentimentos, queria que ela fosse feliz, e queria também ser feliz, e como poderia se na verdade não iria casar-se com o total dela. De que servia ter partes? Descobriram então que eram grandes amigos, grandes ombros, e que poderiam se ter para sempre nesse sentimento.

Ele se achou naquele lugar que não via há tanto tempo. Pegou algumas goiabas, e naquela árvore cheia de histórias ele adormeceu.

Ela já estava em casa. O outro a acompanhou prometendo que finais não precisam ser feios ou ruins. Ela desejou que nunca tivesse ocorrido o fim com ele. O outro a beijou no rosto e se despediu dizendo um “Até logo!”. Ela apenas sorriu. Após um longo banho se trocou e ao invés da cama, caminhou para a varanda e de forma engraçada se lembrou de um lugar que gostaria de ir, uma antiga goiabeira cheia de histórias.

[continua]

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Os dois - parte 1






E então, era uma vez.

Ele tomou coragem, suspirou e se virou de lado.

Ela teve medo, uma lágrima de amor caiu, só não sabia se de saudade ou alegria. Contudo, agora, queria ousar.

Ele relembrou, sentiu e se dissipou em pensamentos e devaneios. Era como se fosse a primeira que sentia aquela paz, daquele sorriso.

Ela se olhou, se sentiu, e esperou. Pensando o porque será que aquela específica lembrança estava ali, justamente esse dia.

Ele não sabia como, mas simplesmente sentia que aquele era o dia, aquilo que estava ali tinha que se reencontrar.

Ela o viu, num velho retrato, sentada, ainda esperando, sem saber o que. E naquela moldura antiga viu dois jovens, inconseqüentes, incondicionais, intensos e insolúveis.

Ele quis, como se fosse o que mais desejara em toda sua existência, o calor daquelas mãos, a ternura daqueles lábios.

Ela se deixou ir, não fisicamente mas pelo coração. As lágrimas agora eram constantes e incontroláveis.

Ele hesitou. E se deteve ao fato de que ele tinha mudado, mas e ela? E a mudança, era boa ou ruim? Ele sabia que era forte. Mas soube que agora tudo seria diferente.

Ela por um momento se descontrolou, e se deixou ser menina. Queria saber o que fazer, queria saber o que sentir, queria jogar tudo pro alto, queria fugir, queria relembrar, queria sentir novamente, queria... Queria... Respirou, se olhou no espelho e se acalmou.

Ele sorriu. De um jeito nervoso e inocente. Sem saber o que esperar, mas sabendo que iria ser mais feliz do que fora até então.

Ela viu as horas. E resolveu que era a hora de deixar estar, guardar no fundo do peito e passar adiante: a vida continua, precisa continuar.

Ele escolheu. Sabia que talvez tinha escolhido um pouco tarde, mas bem, tudo são escolhas, e se aquele era o momento, então o era.

Ela se viu, alguns minutos depois, como um dia chegou a imaginar. Certa de que era quase um sonho, se não fosse pela falta de algo, ou talvez... o certo alguém.

Ele levantou. Lavou o rosto e se viu. Mais velho, mais sério, e completamente decidido. Seriam tão felizes... Chegou a imaginar o dia em que poderiam unir suas vidas para sempre.

Ela, apesar de todos os conselhos e espantos, decidiu que aquilo era algo que ela queria fazer sozinha, ela não precisava de ajuda, e sabia exatamente como queria ficar, como iria aparecer.

Ele então se arrumou. Se perfumou e pensou. Dessa vez não haveriam palavras rudes, nem reclamação. Sabia agora como trata-la, que ela precisava sim de atenção, carinho, admiração. E queria demonstrar tudo isso o quanto antes, talvez tivesse perdido tempo demais.

Ela estava maquiada, num vestido deslumbrante, sapatos branco como a neve, e flores lindas nas mãos. As que sempre desejou: lírios. E então suspirou, como se o dia fosse ser de um fardo sem igual.

Ele lembrou do quanto ela era linda. Do quanto a desejava. Do quanto queria mostrar que estava diferente. Imaginou como seria.

Ela estava ali. Parada. Esperando um carro que a levaria ao seu novo sentido para a vida. Essa espera foi longa, mas não por causa do tempo, e dolorosa, mas não por haver algo físico a incomodando.

Ele foi. Foi buscar o que havia perdido, ou pelo menos era o que ele achava. Foi também encontrar aquela que ele procurara a vida toda, e, como não havia notado? Estava ali o tempo todo, sempre tinha sido ela, somente ela.

Ela se emocionou, era um sonho. E estavam todos ali, a esperando. Claro que esses todos eram poucos, porque foi assim que preferiu. Mas estava acontecendo. Sentiu a falta dele, mas se desviou desse pensamento.






[continua]

sexta-feira, 27 de abril de 2007

E isso é praticamente o tudo, pessoal!





- Como é que é Doutor?

- Sim sim... pergunta intrigante, mas é possível... bom, digamos que é assim:
"Vem!
Simplismente chega!
E de alguma forma tímida, chocante, escandalosa, quietinha, escondida ou escanrada acontece!
Bum!
E fica, e mesmo quando não fica pra sempre, marca!
Sonda, entontece, aconchega e completa!
Dá medo, susto, preocupações, surpresas e até uma certa desconfiança...
Mas cativa! E conquista! E surpreende!
E não anda sozinho!
Vem acompanhado de olhares, carinhos, gestos, sorrisos, mordidas, colo!
E também de compreensão, pacienciência, calma, sabedoria!
Sem contar as doses de loucura, paixão e coragem!
Pode ser temperado, ou não, com ciúmes, e ainda em diversas porções, ou até falta delas!
Não podemos esquecer que ele preenche! Ajuda, ensina, amolece!
E não, não tem cor, mas costumam colori-lo, por vezes, de vermelho! E não, também não tem gosto! Mas é doce! Eu garanto! E também não tem cheiro, mas é tão provocante! Não tem peso, mas é super suave! E não é jóia, mas sabe, brilha mais que um diamente, e vale muito mais também!

Ás vezes ele invade! Com tudo: chega quebrando tudo mesmo, morô?! Hehe! Mas ás vezes é astuto e tranquilo, vai com calma, de mansinho, como quem não quer nada e... TCHARAM, ganha força, e aparece, e você não tem o que fazer quando percebe!!!
Sim ele é intrometido também, chega sem ser convidado, ou mesmo querido!!! Mas também é bondoso e preenche àqueles que o buscam, o esperam, por anos ás vezes...
É malandro!!! Tem ginga! Sabe se comportar! Passar por situações complicadas, tristes, chocantes ou embaraçosas!
Mas é intenso demais também, e ás vezes se perde um pouco... E aí viva a consciência que dá aquele empurrãozinho!
Eu não diria que é uma boa querer enganá-lo, ou escondê-lo, ou enfim, ir contra ele, porque ele é teimoso, ah como é! E consegue dar um jeitinho!
Mas aí você faz um trato com ele! Cada coisa no seu lugar, com calma, com jeito, com maturidade e atitude!
Mas ele é bom, faz bem! É só saber lidar! Mas claro, tudo tem seus dois lados, e bem, se você não cuidar ele pode ficar desenfreado, até perigoso eu diria! Mas aí ele está mal acompanhado, de fúria, ciúmes, aquele sem limite sabe, e também mágoa e agressividade! É, aí ele se transforma e não é bom...
Por isso eu digo: cuidado! Saiba dosá-lo, entendê-lo e apreciar tudo de bom que ele pode proporcionar!
E pra isso? Sinta-o! Mas pra valer! Com vontade, força e até um certa curiosidade!
Ah! Ás vezes achamos que já sabemos tudo, estamos craques no assunto e acabamos por desgastá-lo.. ou cobrá-lo demais! E ele perde o tom, a cor, a graça, a vida... Pra isso alerta! Não perca-o! Não perca a consciência! Não perca a fé! Acredite! Lute! Batalhe! Viva! E tenha sempre curiosidade! E sabe mais o que? Inovação! Nada é novo ou diferente demais! Nada é bobo! E ainda se for desafiador, melhor! Sem vergonha! Vá e surpreenda!!! Vale a pena, eu garanto!
E quando achar que não há mais nada, é mero engano, pura bobagem! Ele sempre vive, por mais que esquecido ou desprezado! Ele fica! Lembra que ele é teimoso? É!!
Sabe aquela música? Aquele lugar? Aquela foto? É, você vai lembrar... Mas ok! Se você, por algum motivo com ele terminou, ele acalma, e aprende a só na memória ficar! Ele marca, mesmo você querendo desmarcar... Porque é mais grudado que tatuagem por vezes... Entretanto, e com certeza, ele pode vir novamente! De um jeito diferente!!! mais encantador!!! Mais realizado!!! Mais completo!
E é um ciclo, que com sabedoria e com ele mais os outros diversos sentimentos, ações e momentos que o acompanham, um dia, ele fica pra sempre! Até... até que nem dá pra contar!!! E eu desejo isso pra você! Descubra! Sinta-o e sinta-o! Sem medo!! Se ele machucar, respira, e ergue essa cabeça, porque você supera!!! E o encontra de novo!!! De uma maneira melhor, até realmente o encontrar! Sim!!! Você antes de encontra-lo realmente vai encontra-lo pelo meio, quase um similar! Não desista! Não se retire!!! Bata no peito e tenha muita atitude! Um dia ele vem pra formar mais dele! E completar pra sempre! E é tão bom... é puro! É lindo, é vivo! É soberano!
Pois é, acho que é isso que tenho pra te falar dele, de resto, ah, você descobre!!!!!E bem.. desculpe a longa explicação, é que ele é complexo demais em sua simplicidade! Contraditório demais em sua tradição! Intenso por demais em sua leveza! Calmo demais em seu desespero! Triste demais em sua grande e profunda felicidade!!!"

- Nossa... que demais, que lindo, que estranho...

- Pois é... pois é...

- Mas... Doutor... só uma coisa... qual o nome dele?

-Ahh... é o Amor! O Amor!

domingo, 25 de março de 2007

Perceber... Contudo, Tudo passa!


Porque as vezes agente não se acha..
Não se encontra..
Ou simplesmente não se vê...

É aí que a ida perde um pouco da cor... dá alguns nós... fica sem sentido.
Mesmo tendo um grande sentido, muita cor e sendo totalmente desdobrada.
Mas se a vida é composta por pessoas, situações, escolhas... não tem como ser sempre certo, firme e esperançoso.
Eu erro,
Tu erras,
Ele erra,
Nós erramos,
Vós errais,
Eles erram,
E eu erro de novo.
Talvez acreditemos demais, ou de menos. Talvez sentimos demais, ou de menos. Talvez escondemos demais, ou de menos. Talvez fingimos demais...
O que eu sei é que a vida continua... a estrada prossegue, mesmo não dando pra ver aonde ela vai, ela continua. Não que sempre haja confiança, força, ânimo... Mas eu sinto também que quando não há é porque nós mesmos perdemos a estribeira... a esperança...
Eu tenho um fonte inesgotável de Alegria e Vida. E sei que essa fonte que me proporciona meus grandes amigos, que são momentos preciosos, necessários, queridos.
É a falta... que faz uma enorme falta...
Um descontentamento muito grande...
Um desconforto...
Um vazio.

É preciso olhar pra frente pra não se perder nas besteiras ou fraquezas do passado.
É preciso sonhar! Grande! Lindo! E esperar, lutando, pra que se torne realidade! Ou pelo menos uma força a mais, aquela pontinha verde de esperança.
E que as cores façam parte, com intensidades diferentes, significados diferentes, momentos diferentes... Porque eu quero o verde da esperança, o azul da tranqüilidade, mas um azul de confiança também. E um laranja de companheirismo, e um roxo muito lindo de feminilidade! E um vermelho vivo, forte e intenso de rebeldia, mas aquela que luta e batalha pelos meus ideais. Mas também aquele vermelho vivo, lindo, grande e impreciso do amor. Quero também o amarelo da alegria e da espontaneidade! Um branco com muita paz. E o preto para que se passe por tormentos, que acrescentem algo como pessoa, para que as outras cores possam se intensificar muito mais, já que são infinitas as cores em suas tonalidades e estados; que assim sejamos nós!
Continuando sempre!
Olhando em frente, acreditando, mesmo quando a vontade é jogar tudo pro alto.
A leveza é necessária. A calma também.
E que as palavras se completem, se encontrem, mas nunca se conformem, para que possa haver muito mais, infinitamente mais. No meu mundo. No seu.
E no momento eu quero o prata, para poder observar a luz... Da lua, das estrelas, da salvação...
Até logo! Com ou sem mudanças.
Mas esse é um assunto pra uma outra sessão!
Quem não entendeu não se preocupe, a vida é uma viagem. Isso é uma viagem. A minha mente então, nem queira saber o que se passa por ela. Ou queira. Mas de uma maneira mais moderada!
É assim que foi, então, é assim que vai ser!
E chega, porque confundir é tudo o que eu menos quero.
Câmbio, e por hora, desligo!

quinta-feira, 15 de março de 2007

Braços de Ferro!


Nostalgia!!!
Essa é a palavra do momento!
E agente?
Tendo sempre força pra continuar!
Problemas, barreiras, dificuldades... existem e sempre insistem em nos afrontar!
Mas agente dá a volta por cima!
Num é só o famoso gingado do jeitinho brasileiro!
Mas são também os amigos!
Que são braços de ferro, mas que nunca nos derrotam!
A música! Que dá toda a alegria, êxtase e de onde vem a calma!
A dança! Uma peça de teatro! Um livro!
E tudo que nos impulsiona!
Então eu quero mais! Muito mais!
De tudo que faz parte do meu mundo! E tudo que me faz bem!
E o que não faz bem também!
Louca? Sempre!
Mas o que importa aqui é que o que não nos faz bem acrescenta sempre algum sentimento, algum aprendizado, alguma força, alguma confiança, alguma palavra necessária de apoio de pessoas próximas!
É passando por esses momentos que agente se conhece melhor! Vendo como agente lida com eles, como agente se porta!
Que os momentos xoxoros existam, venham mesmo!
Mas que sempre sejam devastados pelas besteiras que nós dizemos em companhia dos queridos! Pelas risadas, gargalhadas, irreverências! E até lembranças do que fizemos e dissemos ontem!
E que nós possamos sentir muito o Brasil!
Quê?
Pois é!
Tudo que o nosso maravilhoso país tem a nos oferecer!
Aí já não falo de pessoas, não só, porque somos diversos, e existimos em bons, ruins, meio a meio, hipócritas, descarados, lindos, batalhadores e por aí vai!
Então eu falo de lugares! Que geram momentos!
Principalmente quando em companhia! Mas na companhia dos nossos!
E assim como eu tenho eu desejo muitos mundos personificados que completem o seu!
Eles tem diversos nomes, formas, vontades, gostos!
Todos mais que nescessários!
Alguns eu chamo Regina, Denis, André! Tem também Lippi, Vivian, Gisele, Fefe! Outros de Bethinha, Thami, Jú, Carol! Tem ainda Mari, Line, Truta, Silvana, Cristiano! Talvez Fernando, Will, Jehny, Bia, Marcos!
E por aí vai!
Que tenham muitos desses por aí!!!
Completam, inspiram, animam, passam, recebem, acontecem!
Cada um na sua intensidade, no seu lugar!
E um, dois ou três que intensificam tudo!
E que mistura boa!
E que país maravilhoso!!!
E que grande benção cada um de nós recebeu!
E é essa união que eu quero! É esse se encontrar de raças, etnias, culturas, conhecimentos, povos!
E tudo junto num só lugar, chamado de um só jeito: brasileiro!
Todo o agito e diversão do nosso universo particular pra cada um!
Sejamos o resto do mundo!
E o todo do nosso!
Não troco por nada!!!!!!
E quero mais! Pra sempre! Pro meu sempre!
São melhores que mangá, vinho, chocolate, praia e dormir!
Amooooo!!!
E espero!
Até a próxima!
Ah sim, a quem diz respeito: hu gue gue gueaaaaaa!!!

sexta-feira, 2 de março de 2007

Passagens Inteiras: de Ida e Volta






Viver, acordar, presenciar!
E tudo isso em meio a muita viagem... melhor ainda!!!

O primeiro lugar traz tranqüilidade, vida simples, rústica e bela, aconchego, um verde intocado e sem medida, um turbilhão de estrelas no céu, o sol majestoso e sua autoridade por entre as nuvens, muito espaço, bichinhos em seu lugar natural, ar puro, e um contato inexplicável com Deus! Estar no meio da paz, do amor, da obra em sí. Notar a grandeza, a soberania, a glória, porque não. Tudo que é grande demais, assim, merece cuidado, respeito e a devida atenção. Sentir tudo isso acrescenta muito.

Depois, o outro lugar, trouxe comemoração, alegria, diversão, risadas, intensidade, muito sol, praia, protetor e água! Água mineral, com cloro, com sal, vários tipos para se escolher! Vapor, temperatura alta, diversão, banana boat, japas, escuna, areia, montinho, caminhadas, compras, beleza, avenidas, e Santos parando o trânsito em Balneário Camboriú!
Dias, tardes, noites e momentos que ficarão para sempre! Porque são momentos que se unem com anos, nove para ser mais exata. Anos de amor, dedicação, descobrimento, mudanças, companheirismo, palavras, dor, superação e tudo que envolve os bons e velhos filmes de romance, ação, aventura, comédia!
Pessoas que aprenderam a se respeitar, compartilhar, estar, ver... Todas juntas por um ideal: a dança, para nós, vida! Mas agora vai além, e o fim mostra que ainda existe muito o que descobrir, daí as muitas conversas. E como as palavras podem transmitir o conhecimento não é? Foi imensamente demais! Principalmente quando uma chuva esperta caiu, foi um bom momento para trocar palavras! Até a natureza coopera para o nosso bem estar! Momento intenso, lindo e bem aproveitado demais, com direito a pirata e tudo!

Amigos são grandes demais! Presentes sem comparação! São momentos e personalidades que entram em nossas vidas e fazem um estardalhaço tão bom! Pois conquistam, ajudam, apóiam, puxam orelha, brigam e tudo com muito amor! Eu quero bons, verdadeiros, intensos, sérios, leves e risonhos amigos, sempre! Sem fim! E quando houver fim, usando minhas próprias palavras, que não seja tão fim assim! É inevitável que as palavras se completem, se chamem, são partes de uma única pessoa que se completa, inspira, e tem referência de outras. Assim também é a amizade, é enorme assim e também assim é o tamanho da falta que dá quando alguém importante parte. Parece que você, de alguma forma, você também vai. Mas é impressionante o quanto você fica, permanece, só que é incontestável: incompleto. Talvez confuso por um tempo, até triste. Mas aí agente vê que vale a pena ir atrás do sonho, e brilhar muito, e ter força para que a tal parte possa confiar nos que ficaram, para ter forças pra seguir, sempre! É importante confiarmos em nós mesmos, acreditarmos no nosso potencial, ter quem no apóie, e aí ir em frente! Lutar, se dedicar para crescer, para se formar, para se descobrir e assim descobrir o famoso “o que eu vou ser quando eu crescer”, mas sem impor limites! Tente, opa, errou? Não faz mal: força, apoio, coragem e vamos novamente! Tentando sempre, sem parar jamais! Acertou? Demais! Que alegria! Mas sem parar! O conhecimento não tem fim! A vida não pára, e é assim com as informações! Então, para o meu pedacinho que foi, mas volta, e que eu posso ir também para matar saudades: sorte, sucesso, determinação! E tudo está aqui pra você, crescendo junto, mudando junto! Vamos nós!

Acredito que o hoje está aí! E é nossa a decisão de continuar, começar de novo, começar algo novo, parar, desistir. Vem cá, está fraco? Não nos faltam energéticos e forças para nos recompor, se chamam amigos, ou talvez um hobby, ou a natureza, ver o mar, ouvir o que ele tem pra te passar (shhhhhh), ou quem sabe um sorriso, procure, você acha! Mas se nada te fortalecer, tem um algo, que muitas vezes é tudo que nos falta. Porque alguém nos ama, sem medida, sem compreensão, mas nos ama, e está sempre tentando nos ajudar, e nos fazer observar qual a melhor escolha para seguir. E amor é, como eu já disse, tudo! Acreditar no amor é necessário! E lembre que amor é muito mais que um sentimento, ele é ação, respeito, valor, doação.

Da-lhe vida, amor, confiança, amigos e determinação, a todos nós!
Se todos forem um, dois, já valeu! É o meu mundo compartilhado, que também pode ser de quem quiser! Palavras, e palavras, e palavras!!! Eu quero muitas outras ainda! As que estão se completam, me completam, de um jeito que me faz muito bem, e talvez não só a mim.
E por isso, não se pode parar! Nem eu, nem você, nem o nosso mundo particular de cada um!
Então, boa continuação!
Dê tudo, e mais um pouco de si!
E laiá laiá!!!